Violenta rotina



O helicóptero acorda a comunidade

Voo rasante

Estremecendo as janelas, seis e meia da manhã

Aterrorizante



Rajadas do ar

Direito de matar

Errar é sacrificar criança

Não importa o uniforme da escola

Nem se a hora de operação é de sair ou de chegar

Vidas pobres não importam para o Estado que gosta de aterrorizar



Instituir no cotidiano  a violência, somada  a carência

A escassez dos recursos básicos

E o excesso dos alienantes  midiáticos

Tem mais uniforme sujo de sangue do que terra

Tem mais criança morta por projétil do que por bicho de barriga

Uma minoria privilegiada decide pela vida como seus objetos

De outros, mais escuros

Mais pobres

A mão de obra que limpa lhes a louça sanitária

Pois também cagam e morrem os bandidos nobres:

Donos da nação autoritária.

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