Mesa de bar



Faz uma hora que ele fala dessa mina

Ta lá embaixo na mesa do bar

Com um outro e mais o cara que vende bebida

E ele falava que ia descer a mão se ela chegasse ali

Ela ia chegar beijando ele

Ela é problemática

Ele tá com ela a uns três meses

Disse que encontrou ela na merda que ela era afim de outro que nem dava moral pra ela

Sabe como é, ele tem três namoradas  já tá difícil administrar ( não dá pra ignorar esses termos- tipo business)

Filho de um pai que chegou a ter 8 mulheres

Daí desde o começo ele sabia que o objetivo dele era fazer ela esquecer esse outro cara

Ela jogou limpo desde a primeira vez, disse que curtia esse cara e que queria ficar com ele pra curtir.

Ele, ele sabe que era só sexo da parte dela, mas ele fez o caralho a quatro, beijou ela inteira, até chupou os pés, deixou ela molhada de um jeito que fazia som.

Nessa hora eu ouvindo da janela, entendi algo muito, muito, muito triste sobre tanto sexo e pouco prazer.

A ideia de que numa roda de três homens que tem tantas mulheres, e essas na sua maioria meninas que ficam com caras que acham que deixá-las molhadas é algo extraordinário!

Porque era algo que ele fez porque sabia que o outro cara fazia isso com ela, então ele fez por ele, pra competir, pra conseguir seu objetivo.

Eu sou ela quando ouvinte desses tipos de relato.

Eu traduzo  esse discurso.

Ele naturaliza meu corpo de mulher como algo que pertence a um homem apenas, não dois ou mais. Sendo escolha dele porque ele quer.

O corpo é dela.

Ele verbalizou a violência e foi o ponto  fez parar e ouvir toda a história.

Mulher também é boa de bola mas o futebol é patriarcal, é como um passe a mulher é tipo a bola nesse jogo

O passe é dado de um para outro, mas o gol que seria a quantidade de fodas,( com barulho de mulher tesuda independente de macho) que esse jogador consegue dar.

É porque jogar um bolão, correr o campo, suar a camisa, fazer cara de bravo, derrubar adversário, nada disso garante vitória.

Só a foda garante.

Na cabeça dele.

Ele é jogador titular.

Ela é problemática.










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