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Mostrando postagens de julho, 2018

Oprimido opressor relação de dor

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Sabe qual a grande força do patriarcado? É ter o oprimido do seu lado. Ter mulher, ter radfem Ter gente gay Ter gente trans Isso nos imprime como quem é O que te oprime você sem perceber, reproduz Pregando se na própria identidade como se fosse nos cruz BICHA! CADÊ SUA LUZ? QUAL SUA CONDUTA? Não falo sobre a babaquice santa e puta E sim sobre a falsa moral e uma liberdade curta Silenciar para o machismo é dar como perdida, a causa É desvirtuar a escuta É fugir da luta Aja!

Mulher sem gênero

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Minhas cores não me misturam Me excluem dos que torturam Cada corpo tem seu lugar O meu é o mar Minha cor indefinida Me suspende no ar Meio índia Meio branca Minha cutis é carranca Minha negritude não é proporcional Pele índia Fala branca Força negra Meu corpo que   me carrega Portanto minha regra Correntezas, correntes Sou mistura de peles e de gentes Atravessam me 3 partes   de um mesmo oceano Assim descrevo meu corpo humano

Baby doll

Baby doll Pra não ter ruga Você tem que parar de rir De chorar De sentir Pra ter cabelo de boneca Tem que deixar de nadar Água salgada faz o cabelo ressecar Pra não ter mancha na pele Não deixar que a luz solar te rele Pra não ter gordura localizada Tem que fazer dieta especializada Dicas de mulher pra mulher Onde uma enfia na vida da outra sua colher Onde o corpo dela compete com o meu Coisa de mulher que o patriarcado nos deu

Caça natural

Da ponta da teia de aranha Que alcança e tranca a mosca na trama E mesmo que a voadora zumba Como quem reclama Ela se entrega ao fim que a teceu Sabendo que a aracnídea venceu

Praia dos gêneros

Praia dos gêneros Macho alfa sensualizando na praia A presa da areia Quando ela sai da água, ele resolve entrar Só que dentro da água, o macho percebe não consegue mergulhar Pensa que só porque viu abunda da presa Achou que podia fisgar Sem saber flutuar? Ela, sereia do mar Ele, grão de areia sem consciência de que também é praia Do tipo de consciência macho rabo de saia Ela feminista rabo de arraia Ele sempre pensando em fornicar E esquece que praia deserta se vai para contemplar o mar Ah sereia, sereia Se minha cama fosse a areia E o meu corpo de baleia Seria encalhada e amada E não cuidaria da vida alheia

Talvez...

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Talvez... Talvez haja um amanhã Mas mesmo pulsando o desejo no centro Não importa Qualquer ideia do que foi não volta Não era Não é Hoje reverbero sensações misteriosas que de um jeito perturbador me bastam

Canto em silêncio

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Canto em silêncio Enquanto o outro é encanto O eu fica de canto E pro meu espanto de felicidade Fez se um novo pranto de vaidade Sei que tenho palavras pra rimar Mas quando choro não sei cantar

Vida leviana

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Será que consigo passar a mão na minha vida e deixa la excitada e rapariga?

Desgraça, quem procura acha

Desgraça , quem procura acha Como eu quero perder a força A parte que fica ou o tempo que tira o pé do lugar que ele estava enterrado No primeiro palmo minha cova ainda tá rasa Tenho que insistir pro meu corpo parar com essa mania de querer me enterrar

Meu corpo comestível

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Meu corpo comestível (2008) To tirando da geladeira toda a mágoa fermentada As camadas de proteção são gorduras doces Esconderam a culpa que foi imposta Mulher em “postas” Tô amarga Escaldando isso aos poucos Com um caldo grosso Sempre escondi a beleza Eis meu corpo roubado Uma mulher que em mim morreu antes de nascer E agora depois de 33 anos volta Aquela que antes tinha a   forma de uma torta Retorna pão artesanalmente sovado Devidamente assado

Medicina Insana

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Medicina Insana ( 2013) Contenção assistida é um louco amarrado numa cama

Ressuscitado

Ressuscitado Estou caído Pés nús Ânus assado Cinco homens me foderam na cadeia Largado no caís Perguntas que caem E tudo me diz Que renasço agora Nessa hora Em que um homem é obrigado a carregar na cabeça Qualquer substância que corrói Não tem corpo que esqueça A dignidade que dói

A mulher pássaro

A mulher pássaro pintado (2013) Ela sobrevoa os lugares acinzentados Espalhando cores com suas asas Cada pena foi reciclada Nem todas as plumas macias são leves

No caminho dele havia um livro

No caminho dele havia um livro O garoto no barraco pegou um livro no engradado Empoeirado Na capa tinha uma medusa Ficou petrificado Seu destino ali se traçou As palavras que ele leria e por toda sua vida escreveria Um escritor concretizou Sobre Ferrez ( o escritor)

Filhos da rua

Gabriela Puta da luz que está morrendo de câncer Vai fumar mais uma pedra antes que a vida lhe dance Waldemar retirante Da periferia sem luz Mora hoje na porta do banco de fachada brilhante

A linguagem das ruas

A linguagem das ruas ( 2013) Comida Na rua não dá pra comer o que se gosta Só se come o que resta Sonho Além de ser um direito é também uma realidade Sonhar deitado na calçada sem nenhuma vaidade Trabalho na cracolândia No meio das mentes perdidas Há os que chegam descalços dando abraços Há os que chegam de salto alto filmando as miseráveis vidas Pertences dos excluídos O cansaço O cachimbo A fumaça O limbo Lar amargo lugar A rua A casa A extensão Ocupar e sobreviver

A potência de um coração

A potência de um coração (2013) Mil vezes é a potência de um coração O pensamento é o zero da conexão Ai o pensamento engana tudo e a todos Fingindo conectar Volta pro lado de fora e desocupa Esse espaço não é mais teu É da maldita cabeça que encuca

Wlademar ou Amarildo

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Waldemar (2013) Corpo recalcado Corpo controverso Corpo contra Corpo verso Qual é teu corpo Waldemar? Corpo destinado e a morrer ou a matar? Qual teu corpo Amarildo? Ser um desaparecido? Corpo destinado a se calar? Corpo silenciado por lutar.

Herança

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Herança (2010) Duas gerações de história subdivididas Duas trajetórias doloridas O pai morreu estrangulado O filho corroído Quantos palmos de um homem o levam ao céu? A plantação que cresceu sob a luz do sol Nunca foi colhida Foi pisada e destruída O pai homem da terra De luta De planta, labuta, com mão santa O filho homem de letras De agredida escuta De porrada, violência e força bruta O pai homem de caminhadas Retirado, expulso a pauladas Família doente, seu fardo para carregar O filho homem de alma De palavras indignadas Cuja na própria jornada a bebida usou, para se anestesiar

Toque da Natureza

Tocar e plantar São tipos de trabalhos que geram alegria através das mãos Nada como ter a força de quebrar o instrumento e privatizar os dedos que tocavam Nada como ter a justiça de confiscar a terra mesmo sem: Entender de regar Entender de luz Escrever se dona dela Terra não pertence a quem não se faz chuva 2010

Olha quanto peixe - Música

MÚSICA CANTEIRO – CENA DAFÉ PESCADORA Olha quanto peixe mainha Olha quanto peixe É só jogar a rede mainha Olha quanto peixe Rede, linha, anzol... Trabalho de sol a sol Sem bússula ou sonar Minha sabedoria vem do mar Se tem peixe ou não tem Quem me diz é o tempo Se a correnteza vai ou vem Quem me sussurra é o vento PROCESSO INVENTIVOS 2008

Ode a uma árvore amante

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Essa tua beleza é quem me faz entender o verdadeiro sentido de viver A minha admiração eu demonstro no olhar Sempre que te vejo florir Sempre que te vejo brotar Cada verdinho que sai Cada amarelinho que cai É tão doce ser uma folha É tão glamoroso ser uma flor A mais pura e brega expressão do amor É a minha vida pra te elogiar Sabendo que como eu tantos outros animais acordam e adormecem a te louvar Cada vegetal que no tamanho e tempo cresce Cada tom de verde que minha alma enobrece Por hora é chuva que vem te alimentar Outra hora é o vento que virá te balançar Ou o sol que vem nos bendizer Clorofilando meu bem querer (Sem data precisa) HAIKAI Amei tantas árvores nessa vida E sei que muitas outras amarei

Haikai

Haikai: suspiro Três amores de três momentos Os três ao mesmo tempo São Paulo, 2003?

Desenho Escrito

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Quero escrever um desenho pintado em linhas Tenho que escrever algo de pior em mim Só para ser Pensar que sou apenas coisas que carrego e trocadas por serviços que me prestam Tenho pouquíssimas comodidades e algumas raridades Penso em pouco Em muito Em nada Tenho diferenças e igualdades Procuro uma essência em ser Tenho um pedaço pequeno de asas Coisa mínima Um cotôco Mas como elas me fazem voar... SÃO PAULO, 2011

PESSOAR

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Coisas pequenas Grandes consequências As pessoas... Quero inaugurar o verbo “pessoar” Tenho um tempo mas ele não me tem Sou eu quem me detém Qual minha experiência na vida? Preciso mais ou menos de mim? Bem ou mal Me quero! SÃO PAULO, 2011

Transitando

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Na passagem nada sou Trem Movimenta meu corpo Minha mente Só não causa quando o ceú é azul dos dias de chuva SÃO PAULO, JANEIRO DE 2011

Desafio além dos tímpanos

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                                                                                                          O AMOR QUE DÓI E O AMOR QUE CUIDA Você me ensinou A não te escutar Em momentos Aprendi a ensurdecer Suas palavras desafinam A doer além dos tímpanos O COMEÇO DAS COISAS PAI Você está linda MÃE Ela é linda, mas a roupa deixou ela gorda PAI Eu dei a roupa Ela gostou MÃE Essas cores engordam PAI São as cores da moda MÃE A moda é dos magros PAI Minha filha não é gorda MÃE Mas quer parecer magra, por isso usa essa roupas O DESAFIO ALÉM DOS TÍMPANOS Perceber que olham através de mim Macia a pele de torta holandesa Sorte da velha...

Leveza

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A água que fluía na sarjeta da calçada Era pro pombo a corredeira de um rio Ele se lavou e voou SÃO PAULO, DEZEMBRO DE 2011

Aristocracia decadente

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Na fachada era só um casarão antigo demolido A janela aberta tinha uma árvore brotando, mas lá no fundo ainda dava pra ver a escada que subia para o nada SÃO PAULO, NOVEMBRO DE 2011

Violenta rotina

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O helicóptero acorda a comunidade Voo rasante Estremecendo as janelas, seis e meia da manhã Aterrorizante Rajadas do ar Direito de matar Errar é sacrificar criança Não importa o uniforme da escola Nem se a hora de operação é de sair ou de chegar Vidas pobres não importam para o Estado que gosta de aterrorizar Instituir no cotidiano   a violência, somada   a carência A escassez dos recursos básicos E o excesso dos alienantes   midiáticos Tem mais uniforme sujo de sangue do que terra Tem mais criança morta por projétil do que por bicho de barriga Uma minoria privilegiada decide pela vida como seus objetos De outros, mais escuros Mais pobres A mão de obra que limpa lhes a louça sanitária Pois também cagam e morrem os bandidos nobres: Donos da nação autoritária.